O Poeta & A Poesia

O Poeta & A Poesia
Voltarei inevitavelmente à poesia, porém, quando a escrevo tenho de estar motivado para tal e quase sempre é quando estou triste que me chega essa motivação. Porque escrevo com os sentimentos à flor da pele, É quando o meu estado de alma quer ter voz como um desabafo ao vento. ..."porque um poeta é alegria, também tristeza em breve momento" _ Hélder Gonçalves

Recordando




Naquela viela estreita, gentios horrores
Um bafo quente, de estranhos odores
Com nome esquisito - Rua das Atafonas
Tabernas esconças, cheiros e  sabores,
putas, encostadas, em porta carcomida,
gastas pelo tempo, escadas da má vida!

Vendem o corpo mal nutrido,desajeitado
De mamas caídas suportadas por trapos,
pernas ao léu, varizes azuis aos esses desenhadas.
Pequenas saias - mais parecendo farrapos.
Desdentadas, desgrenhadas, ali plantadas,
sem tempo -  chulos ao lado ,no mesmo  pecado!

Ao lado, a taberna exala cheiros rançosos
De tantas iscas com elas, ali passadas
Em molho grosso de frituras continuadas,
p!raquela gente eram pitéus, bem saborosos
Conversas estúpidas , galhofando com as putas
Gritos histéricos,  em alvares gargalhadas!

Juventude a quanto obrigas -  por ali passei!
Beijos balofos  pela fome do desejo, suportei!
Meus olhares, nesse tempo, não eram esquisitos
Para mim, o importante, era ter os requisitos.
Como adolescente candidato a homem em ebolição
Sonhos noturnos  com momentos de masturbação:
Por uma puta, bem gordinha,  me enamorei!
De seu nome Olga, por ela, então, me apaixonei:
recebi favores, carinho e até amor dela granjeei
Por isso ,sempre pensei que ser puta – Meu Deus!
Nada mancha o coração, amor, mesmo, o dos Céus,
 como Cristo a Madalena, a pedra não atirei!

Hélder Gonçalves
Julho 2013